O Jornal da tarde da RTP 1 mostrou hoje uma peça (minutos 32.45/35.43), onde se evidencia as dificuldades de acesso a tratamentos médicos, designadamente do foro oncológico, no Distrito de Bragança.
As pessoas, de várias idades, estão a deixar de ir a consultas e tratamentos porque não têm dinheiro para pagar o transporte.
Se a peça retratasse o Distrito de Évora não seria muito diferente.
A somar às reduções de horários de atendimento em Centros de saúde, aos encerramentos de diversas extensões e centros de saúde, ao encurtar dos serviços que são prestados aos doentes, ao aumentar brutalmente as chamadas taxas moderadoras que são cada vez mais um pagamento de serviço, ao passar a cobrar os serviços que são prestados (injeções, pensos, etc.), a somar a tudo isto, o Governo do PS anteriormente e agora o governo do PSD, estão a cortar no pagamento de transportes a pessoas doentes.
Por cá esta a acontecer algo de muito parecido e com esta medida de "gestão" tão ao gosto dos tecnocratas engravatados, estão a conseguir poupar muito dinheiro.
Pelo caminho, as Associações de Bombeiros estão em situação de pré falência, muitos doentes veem acelerar a degradação da sua saúde e inevitavelmente encurtar a sua esperança de vida porque estão a deixar de ir aos tratamentos que ainda vão conseguindo arranjar por falta de dinheiro para pagar o transporte.
Por cá, quando ainda o Governo anterior começou a implementar estas medidas para "racionalizar" os custos com o serviço nacional de saúde, logo vieram a terreiro a meia dúzia do costume, defender a voz do dono.
Diziam que não ficaria ninguém sem transporte desde que o médico assim o dissesse.
Mentira.
Diziam que as "consultas abertas" não deixariam ninguém sem acesso a médico.
Mentira.
O último caso que eu conheço, aconteceu na 6ª feira passada no centro de saúde de Viana do Alentejo. Nem médico para atender nem ambulância para transportar para Évora, nem dinheiro para pagar o transporte. O doente voltou para casa tal como foi ao centro de Saúde.
Perante estas e outras situações de ataque aos direitos mais elementares das pessoas, precisamos de um poder local que interprete os problemas com que a sua população se confronta e que os acolha, ampliando a sua voz e responsabilizando quem tem que ser responsabilizado.
Ao não o fazer, o poder local, seja por ação ou por omissão, está a prestar um mau serviço às populações que em si confiaram.
Está a contribuir para manter este estado de coisas que não servem a ninguém, a não ser a quem apenas olha para os números e fica muito contente com a contagem dos euros que poupa, mas nunca faz as contas às vidas que ficaram pelo caminho.
Este texto vem da minha mais profunda indignação e interessa a quem interessar.






